VIAGEM COMO TERAPIA

E se houvesse um Atlas Psicológico do Mundo que exaltasse as virtudes psicológicas dos lugares??! Tal atlas alinharia destinos com seu potencial de causar mudanças internas nas pessoas. Essa idéia foi lançada em um artigo do The Philosophers Mail. E eu, super adepta e já praticante de viagem como terapia, achei sensacional.

Por exemplo, veríamos que o deserto de Utah é tanto um destino físico – composto de pedras de 200 milhões de anos de idade, que se estendem até onde os olhos podem ver, em um tom rosa suave – e um psicológico: capaz de funcionar como um estímulo para perspectiva, para se afastar de preocupações, para propiciar um terreno de maior calma e resiliência.

Utah, Church Rock © UIG/Getty
Utah, Church Rock © UIG/Getty

Segundo o artigo, estamos muito acostumados a pensar viagem somente como prazer, uma diversão na vida, mas viajar, em um nível mais profundo, pode nos ajudar em nossa educação psicológica, crescimento pessoal e alcançar versões melhores de nós mesmos. Quando corrige os desequilíbrios e imaturidade de nossa natureza, viajar revela todo o seu potencial para funcionar como uma forma de terapia em nossas vidas.

Porém, para ter efeito terapêutico, precisamos mudar a forma como escolhemos nossos destinos. E reconhecer que estamos mal servidos pela indústria de turismo que divide o mundo em categorias que não atendem às necessidades da alma.

Sem nenhuma conotação mística, todos nós estamos envolvidos de uma forma ou de outra em “jornadas interiores”, ou seja, estamos tentando nos desenvolver de maneiras especificas. Podemos estar em busca de como sermos mais calmos, em encontrar uma forma de repensar nossos objetivos, em sermos mais confiantes ou escapar de sentimentos debilitantes.

O artigo segue dizendo que o ideal seria que os lugares que escolhemos nos ajudassem nessa evolução psicológica, de tal forma que a viagem exterior nos ajudasse com a viagem interior. Mas para isso acontecer precisamos ter claro em mente o que estamos procurando internamente e o que o mundo exterior pode conseguir entregar para nós.

Em parte, isso nos obriga a olhar para o mundo de uma nova maneira. Cada destino pode conter em si qualidades, virtudes que poderiam apoiar algum movimento na jornada interior de uma pessoa. Há lugares que poderiam ajudar com a timidez e outros com ansiedade. Alguns lugares podem ser bons para  reduzir o  egoísmo e outros podem nos ajudar a pensar com mais clareza sobre o futuro. Precisamos sempre procurar locais do mundo exterior que possam nos empurrar para onde precisamos ir para dentro, para as mudanças internas que queremos fazer.

Na minha experiência pessoal, quando tirei um período sabático viajando, eu buscava autoconhecimento, descobrir minha motivação, meu propósito. Acredito que primeiramente a escolha por lugares efervescentes, como Londres onde estudei por um tempo, foi para ter a oportunidade de ver e conhecer o máximo de coisas e pessoas possível, pois é nas relações humanas pessoais, nos confrontos de valores e nas escolhas, que crescemos emocionalmente. Nesses confrontos, descobrem-se diferenças e identidades, tem-se uma revelação mais ampla de si mesmo.

Já o período em Paris, uma cidade que considero mais contemplativa, foi um momento de estar sim com outras pessoas, mas também de estar sozinha, de voltar para dentro, ler muito, de fazer reflexões, e avaliar isso tudo. E não poderia existir lugar mais belo para isso na minha opinião..

Mas de qualquer forma, na minha opinião, entrar em contato com culturas diferentes, examinar e avaliar seus valores, proporcionam sempre mais autoconhecimento e geram desenvolvimento pessoal.

~ QUAL SERIA O SEU DESTINO PARA UMA VIAGEM TERAPÊUTICA? ~

Artigo original e para ler mais: a The Philosophers Mail fez uma matéria sobre uma variedade de locais em todo o mundo que demonstram a teoria da “viagem como terapia” em ação para inspirar as pessoas em viagens terapêuticas em seu próprio país.
The Philosophers Mail é uma fonte de noticias diárias online lançada pela The School of Life onde a idéia é trazer as últimas, as maiores histórias, interpretadas por uma equipe de filósofos da casa em vez de jornalistas.
Para quem não conhece, a The School of Life foi criada pelo filósofo e escritor suíço Alain de Botton em 2008, e se dedica a destilar grandes pensamentos de todas as épocas para enriquecer o cotidiano dos alunos. A abordagem inovadora da instituição a tornou reconhecida internacionalmente desde a abertura em Londres, e chegou ao Brasil recentemente. A idéia é se dedicar ao desenvolvimento da inteligência emocional através da ajuda da cultura. Abordam questões como a forma de encontrar um trabalho gratificante, como dominar a arte de relacionamentos, como entender o passado, a forma de alcançar a calma e como melhor entender, e onde necessário, mudar o mundo.
Foto de capa: site The Philosophers Mail

1 Comment

  • 3 anos ago

    You’ve got it in one. Co’nuldt have put it better.

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