JUNHO É O MELHOR MÊS PARA UMA IMERSÃO NO MARANHÃO

Uma viagem deliciosa para fazer em junho é para São Luís no Maranhão com seus festejos de São João. E depois esticar para os Lençois Maranhenses que já estão com suas lagoas cheias devido às chuvas do primeiro semestre.

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Uma das viagens mais deslumbrantes que fiz há alguns anos em grupo numa expedição fotográfica e tenho as mais belas recordações. Tem história; arquitetura com influência portuguesa com os azulejos coloniais do seu centro histórico; festas e manifestações tradicionais e folclóricas com muita dança e música; praias; comida regional e a beleza indescritível dos Lençóis Maranhenses.

Juntas elas formam uma deliciosa dobradinha maranhense. História, sabor e ritmo de São Luís unidos à beleza, aventura, lagoas e exuberante natureza nos Lençois.

História, Arte e Arquitetura

São Luís, Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco é cheia de história e tradição. Única cidade brasileira fundada por franceses, cobiçada e invadida por holandeses, e em seguida colonizada por portugueses.

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Portugueses, espanhóis, franceses e holandeses ajudaram a moldar, com suas influências, o Centro Histórico de São Luís. Cerca de 4 mil imóveis são tombados pelo Iphan e, uma parte deles, são reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. No emaranhado de ruas estreitas, vielas e becos, os casarões dos séculos 18 e 19, muitos cobertos por belos azulejos lusitanos, estão por todo lado.

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Fala-se muito que o centro histórico de São Luís do Maranhão está sendo (ou foi) revitalizado. Na verdade, o que existe é um quadrilátero mais preservado, com arandelas coloniais e fios aterrados. Mesmo com alguma revitalização, o centro histórico sofre com o descaso e a pouca preservação infelizmente.

Porém essa área mais revitalizada já é fascinante e merece ser explorada a pé e com calma. São praças, ruelas e largos altamente fotogênicos recontando a história de sua fundação e conquista de São Luís. São Luís tem o maior e mais homogêneo conjunto arquitetônico colonial português na América Latina. São 17 tipos diferentes de construções, que somam 3.500 prédios tombados como patrimônio mundial e 3 mil como patrimônio nacional. É bem verdade que muitos deles não estão em bom estado, mas ainda assim é possível imaginar toda a pompa vivida ali há séculos. Isso porque alguns detalhes evidenciam, ainda hoje, o que na época era sinal de poder aquisitivo: as fachadas azulejadas, o grande número de janelas e as eiras, beiras e tribeiras, muitas delas de porcelana.

É na parte mais baixa da cidade de São Luis onde estão as mais bem-preservadas construções revestidas de azulejos. À primeira vista, sua função pode parecer puramente estética, mas, na verdade, ajudava a diminuir a temperatura interna nos casarões. É nessa área onde se encontra a Matriz da Sé, a Casa de Nhozinho, Palácio dos Leões, Museu Histórico e Artístico do Maranhão e a Casa das Tulhas – um antigo armazém trabnsformado em mercado público – com os quitutes típicos do estado. Imprescindível fazer esse roteiro pelo Centro Histórico.

Catedral da Sé é o marco zero da cidade, cuja fundação se deu em 1629, e que exibe um interior todo barroco. Palácio dos Leões é a sede administrativa do Governo do Estado, que mantém uma ala daquele enorme casarão aberta para visitação, com mobiliário e objetos da coroa portuguesa, além de um lindo jardim assinado pelo grande paisagista Roberto Burle Marx. Casa de Nhozinho, um espaço cujo nome é homenagem ao artesão local famoso por suas peças esculpidas na palha de buriti, onde há vários objetos que remetem à vida do maranhense além das peças de Nhozinho.

O Museu Histórico e Artístico do Maranhão, no preservado Solar Gomes de Sousa, erguido em 1836, foi transformado em museu em 1973. Os objetos em exposição – mobiliário, porcelanas, vidros e cristais – reconstituem os ambientes das ricas residências maranhenses dos séculos 18 e 19. Antes de entrar para uma visita guiada, aprecie a fachada, um belíssimo exemplar da arquitetura colonial portuguesa.

As festas de São João

A miscigenação cultural que marcou a colonização da região está expressa também na diversidade de sons, ritmos e danças típicas maranhenses. Durante a festa de São João, existem diversos arraiais espalhados pela cidade, onde acontecem várias apresentações, manifestações folclóricas que vão desde a tradicional quadrilha, que se manifesta em outras regiões do país, até o típico Bumba Meu Boi, Tambor de Crioula, Cacuriá, Dança do Coco, Dança Portuguesa, Chegança, Dança do Lelê e Dança do Boiadeiro.

No mês de junho, a temporada de festejos para Santo Antonio (dia 13), São João (24), São Pedro (29) e, no Maranhão, São Marçal (30), reúne milhares de pessoas nos arraiais espalhados pela cidade para ver as danças tradicionais, além das saborosas comidas típicas, vendidas em barracas de palha.

No centro do arraial ou em outro lugar de destaque, há espaço para apresentação dos grupos folclóricos. As atrações são variadas: desde a tradicional quadrilha, que se manifesta em outras regiões do Brasil, até o típico bumba-meu-boi, tambor de crioula, dança portuguesa, dança do coco, dança do lelê, cacuriá e dança do boiadeiro.

Além dos variados sotaques do Bumba-meu-boi, dos toques do tambor de crioula e dos acordes da sanfona, o São João Maranhense também é marcado pela grande diversidade de danças.

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Nesta foto estão caracterizados para uma apresentação de Dança Portuguesa, uma das heranças de nossos colonizadores. De origem europeia, ganhou forte envolvimento das comunidades do Maranhão. Trajando roupas típicas de Portugal, decoradas com bordados ricamente elaborados. As mulheres usam meias, lenços e leques, enquanto os homens usam como adereços chapéus, luvas e bengalas. Os pares dançam ao som de fados e viras. Um casal à frente comanda os passos. A Dança Portuguesa é uma das brincadeiras que mais tem representantes em todo o estado do Maranhão.

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As imagens acima são de uma apresentação da Companhia Barrica “O Boizinho Barrica à Luz de uma Estrela” – uma reinvenção do Bumba Meu Boi do Maranhão, em um dos arraiais mais bonitos. Uma das apresentações mais contagiantes, pela alegria, dança, música, cores, roupas, animação e a força dos brincantes.  Foi em um arraial onde tinha espaço bem grande no chão para a dança e os músicos tocavam e acompanhavam no palco.

Companhia Barrica é um grupo parafolclórico que estiliza os quatros sotaques do bumba meu boi, além de apresentar os ritmos de outras manifestações folclóricas maranhenses como o Divino Espírito Santo, o coco, a chegança, o lelê, o tambor de crioula. Derivação do Bumba ancestral, mas com enredo, ritmos, indumentária, coreografia, tudo muito especifico e diferente. Revigora e evidencia a tradição das festas populares do Maranhão.

Sua indumentária é confeccionada em palha de buriti, com entremeios decorados por fitilhos de seda e paetês. Tem história centrada na paixão de um boizinho por uma estrela bailarina e em torno desse enredo tem os mais belos cantos, coreografias, figurinos… Acaba com todo mundo dançando junto, uma animação só!!

Uma apresentação de Bumba meu Boi de sotaque orquestra.

O Bumba meu Boi é um culto popular de raízes européias que, ao chegar ao Brasil sofreu processo de aculturação das festas afro-negras.  A festa tem ligações com diversas tradições, africanas, indígenas e europeias, inclusive com festas religiosas católicas, sendo associada fortemente ao período de festas juninas.

Os brancos trouxeram o enredo da festa; os negros escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios antigos habitantes emprestaram suas danças. E a cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos maranhenses foram-se transformando no tempo da emoção, da promessa e da diversão.

No Maranhão, apresenta-se em três sotaques: matraca, zabumba e orquestra. É a maior expressão do folclore maranhense, um espetáculo mágico de ritmos e cores.

Uma apresentação de Bumba meu Boi de sotaque matraca

Eu achei esse gênero mais para asssitir e se emocionar com a entrega dos participantes. Me pareceu “quase uma forma de oração”, servindo como elo de ligação entre o sagrado e o profano, entre santos e devotos, congregando toda a população.

Bumba meu Boi é uma manifestação, um culto, uma dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos e animais fantásticos, que gira em torno de uma lenda sobre a morte e ressurreição de um boi.

Além dos arraiais que acontecem espalhados em diversos pontos da capital, inclusive no Centro Histórico, em duas datas há encontros de grupos de bumba-meu-boi de matraca no bairro de João Paulo. O mais importante é o que encerra a temporada junina com uma grande festa em homenagem a São Marçal em 30 de junho, que já acontece há 88 anos, quando eles passam pela principal avenida do bairro. (fotos abaixo)

Ainda não conheço as festas de São João do Ceará e de Pernambuco, um erro grave, ainda por cima porque tenho família em Recife.

Acredito que devem ser muito animadas e divertidíssimas, mas o São João de São Luís, junto com toda história e arquitetura, guarda na sua essência as tradições de uma forma muito especial. Mais que uma grande festa popular com música e dança, é uma celebração da cultura, das manifestações folclóricas e da nossa história. Vale muito a pena conhecer de maneira imersiva!

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E depois das festas e de explorar São Luis, se fascinar com os Lençóis Maranhenses, paraíso escondido no Nordeste do Brasil, um dos principais destinos turísticos do Maranhão. Um dos lugares mais deslumbrantes que já conheci. Nenhuma foto que já tinha visto dos lençóis traduz a beleza que é estar diante dele.

As dunas são formadas pela força dos ventos, que criam uma paisagem única e se alteram constantemente. Nesse ‘deserto’ gigante é possível encontrar lagoas formadas pelo acúmulo de água das chuvas do primeiro semestre, tornando maio a setembro a época ideal para a viagem. Portanto aconselho junho e aproveitar os festejos juninos de São Luís.

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Para chegar no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, o acesso é feito por veículos 4×4 conhecidos como ‘jardineiras’, caminhonetes adaptadas para levar passageiros na carroceria. Após uma rápida travessia de balsa pelo rio Preguiças, segue por uma trilha, com algumas emoções pelo caminho, e passando por uma paisagem de vargem.

Um dos portais mais conhecidos dos Lençóis Maranhenses é a cidade de Barreirinhas, a 250 km de São Luis.

Fiquei hospedada na pousada Encantes do Nordeste e recomendo. Aconchegante, um bom restaurante para a noite – após os dias maravilhosos porém cansativos – e um deck particular para pegar as lanchas que levam para os passeios pelo Rio Preguiças – programa imperdível assim como os Lençóis!

O Rio Preguiças cruza os Lençóis e em suas margens há dunas entrecortadas por lagoas; vegetação exuberante com manguezal, palmeiras de açaí e buriti; vilarejos e comunidades ribeirinhas, suas pessoas e o artesanato – como Vassouras, Mandacaru onde fica um farol de 35m com uma visão 360 da região, Atins e Caburé onde pode tomar banho de mar e em seguida tirar o sal num banho de rio.

Uma das paradas do passeio pelo Rio Preguiças é o vilarejo de Mandacaru com seu farol de 35m de altura e de onde se tem uma visão 360 graus da região. Subida é feita por uma escada em caracol pelo interior do farol mas é bem tranquilo e o esforço de subir os 160 degraus é super recompensado.

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Durante o passeio pelo Rio Preguiças podemos ver pescadores, crianças se divertindo no rio ou mesmo boiadeiros tentando recapturar bois fujões que foram dar uma volta no rio.

Se der a sorte como eu tive de visitar os Lençóis em época de lua cheia, vale muito a pena programar um fim de tarde nos Lençóis para ver o pôr do sol e o nascer da lua. É tão maravilhoso que máquina fotográfica alguma é capaz de captar. Assim como o entardecer no Rio Preguiças. Esses momentos irão ficar eternamente guardados em nossas retinas.. :-)

~ UM AVISO: DEPOIS VOCÊ VAI QUERER VOLTAR TODO ANO.. :-) ~

Para se programar para as festas de 2017, alguns links importantes sobre roteiro das festas e localização dos bairros de São Luis e a programação dos arraiás.
A hospedagem que utilizei e recomendo em São Luis é a pousada Portas da Amazônia no Centro Histórico. E em Barreirinhas, a pousada Encantes do Nordeste.

Todas as imagens são de arquivo pessoal, autoria e propriedade do ©Cities to Inspire.

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