UMA EXPLORAÇÃO GASTRONÔMICA E ETÍLICA EM NEW YORK – por Claudia Ciuffo

“Quando estou em New York, eu só quero andar pelas ruas e ter
a sensação que estou em um filme.”  Ryan Adams

Era uma sexta-feira, em torno de 18:30, quando descemos alguns degraus de escada e entramos numa pequena loja de cachorro-quente com poucas mesas e duas máquinas gigantes de fliperama no East Village. Minha amiga pergunta: “Claudia tem certeza que é aqui?”  Dou uma olhada no ambiente e acho a cabine telefônica. Apontei pro local e disse: “sim, preciso  entrar na cabine e discar um número no orelhão.”

Alguns minutos depois, a parede dentro da cabine se abre e um gentil anfitrião perguntou se eu tinha reserva e quantas pessoas estavam no meu grupo. Nós não tínhamos, mas éramos apenas duas e ele afirma: “aguarde uns minutos fora da cabine e eu retorno para lhes buscar”.

Dito e feito: menos de 10 minutos depois, a parede se abre novamente, ele nos chama e nos oferece dois banquinhos no bar do Please Don’t Tell, um dos speakeasies (bares secretos) mais concorridos de Manhattan. Deslumbradas com todo o processo para a nossa entrada no bar, acreditamos de verdade estar em um cenário de filme.

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O Please Don’t Tell ou PDT é um bar  pequeno, escuro, aconchegante e conta com uma trilha sonora de primeira. O menu, que eles pedem para não divulgarmos, tem uma seleção de drinks caprichada e variada preparada pelo renomado bartender. Todos custam $16, sendo que eles também oferecem varias opções para os fãs de cerveja pela metade do preço, e uma diversa carta de vinho. Para comer, alguns aperitivos, que incluem o cachorro quente da lanchonete vizinha que é entregue ao garçom por uma janelinha que conecta o elegante bar com a lanchonete.

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Imagem Landpage PDT

Depois de alguns drinks, partimos a pé para explorar a redondeza, e paramos no Crocodile Lounge. Oposto do PDT, é um bar frequentado pela garotada da New York University, onde estava rolando um bingo, intercalado com karaokê. A bebida é barata e, ao comprar o primeiro drink, seja ele qual for, a gente ganha uma pizza brotinho deliciosa. A promoção do Happy Hour vale o dia inteiro, assim como a animação da garotada que é contagiante e dura até às 4am.crocodile.lounge.nyc_2

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Imagem Divulgação

As muitas possibilidades que New York City oferece é o que mais me encanta na cidade. Quando a visitei pela primeira vez em 1989, era considerada uma das mais perigosas do mundo. Hoje, New York é mais segura que Los Angeles, o que me encoraja a andar pelas ruas explorando todos os seus mistérios e suas curiosidades.

Não importa quanto tempo a gente more em NY ou quantas vezes já visitou a Ilha, todos os dias a gente vai  se deparar com uma novidade, seja um restaurante, uma loja, um prédio novo ou simplesmente um cantinho do Central Park que a gente nunca esteve antes. De fato, a Maçã  é uma gigantesca caixa de surpresas.

Nos faz rever nossos próprios hábitos. Depois de muitos anos morando em LA, passei a dividir meu tempo entre a City of Angels e a The City, e demorei a me acostumar com a ideia de que em New York os restaurantes não servem bebida alcoólica antes das 10 da manhã, enquanto na Califórnia, bebidas alcoólicas podem ser vendidas e consumidas entre 6am e 2am do dia seguinte.

Outro ponto alto de NY é que, em um dia, podemos percorrer Manhattan de metrô e almoçar no Sylvia’s. Mais que um restaurante, é um marco do Harlem, bairro que fica ao norte do Central Park, já foi um dos mais violentos da cidade, e hoje é um polo cultural. Frequentado pelo Presidente Obama e famoso pela comida típica do sul dos EUA servida em pratos generosos com preços simpáticos. Seus dois ambientes são espaçosos e as paredes são cobertas por fotos de celebridades que prestigiam o local desde sua inauguração em 1962.

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Depois de um almoço de lamber os beiços, partimos de metrô para o Lower East Side para tomar drinks no Ear Inn, o boteco mais antigo de NY. Datado de 1817, tem uma pequena homenagem ao Rio de Janeiro na parede demonstrando que os “botequeiros” são solidários, independente da distância que os  separam.

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O bar tem também um cardápio cultural variado. Ao longo dos anos ganhou uma sólida reputação como um ponto de encontro para criativos. Artistas, poetas, escritores e músicos. Leituras de poesia e exibições de filmes são constantes e, três noites por semana, o bar oferece música ao vivo com algumas das pessoas mais talentosas tocando jazz, bluegrass e mais.

Imagem Website Ear Inn
Imagem Website Ear Inn

Simone de Beauvoir dizia que tem algo no ar em NY que faz dormir desnecessário.

E eu concordo com ela.  O agito das ruas, a magnitude dos prédios que nos cercam, a energias das milhares de pessoas que cruzam nosso caminho nas andanças pela Ilha ou no metrô lotado, nos dão o gás necessário para não parar jamais.

Sem contar que NY incentiva o  nosso lado criativo ao esbarrarmos com suas fascinantes expressões artísticas. Seja a pintura de um muro, os meninos dançando break na Grand Central Station, ou o solitário saxofonista dando seu show embaixo de uma pequena ponte no Central Park, momentos do dia a dia da cidade que valem tanto quanto qualquer espetáculo caro que a gente assista na Broadway.

Aliás, muita gente fala que NY é uma das cidades mais caras para se visitar. Discordo veementemente, da mesma forma que discordo daqueles que insistem em dizer que nos EUA se come mal, só junk food, cachorro quente e hambúrguer. A questão é que para descobrir os lugares certos em NY a gente tem que  pesquisar. Eu mesma passo algumas horas checando as listas da Time Out, do New York Times e da The New Yorker antes de sair para me aventurar por Manhattan. Sim, tem lugares caros, mas é mais fácil e mais barato se divertir, comer e beber bem na The City do que em LA ou mesmo no Rio de Janeiro, só requer um pouco mais de tempo para organizar seu roteiro.

Uma coisa é certa, a vida em NY é melhor que muito roteiro de cinema, talvez por isso, a cidade seja escolhida por tantos diretores e produtores como locações de séries e filmes, e sirva de inspiração para tantos livros e músicas.

Basta se dedicar e estar disposto a desvendar os mistérios desta magnifica floresta de concreto. Tenho certeza que você só vai se deparar com boas surpresas.  Boa Viagem!

Imagens: Arquivo Pessoal Claudia Ciuffo ou mencionado.
Texto de Claudia Ciuffo, colaboradora do Cities to Inspire. Há sete anos atrás foi atrás dos seus sonhos e se mudou do Rio de Janeiro para Los Angeles. Baiana de nascimento, carioca de coração, mora hoje em um avião. Vive na “ponte aérea” Los Angeles-New York onde adora explorar e desvendar seus mistérios. Seu guarda-roupa é uma mala e seus companheiros de jornada são os livros, filmes e seriados que dão asas a sua imaginação. Seu blog Hollywood é Aqui é sua diversão onde compartilha seus sonhos, dicas e suas aventuras com paixão.

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