INHOTIM: UM DOS MUSEUS MAIS ESPECIAIS DO MUNDO FICA BEM PERTO

O Instituto Inhotim é o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo, cercado por um majestoso jardim botânico, localizado em Brumadinho (MG) a cerca de 60 km de Belo Horizonte. Caminhar por sua enorme área, que ostenta uma das maiores coleções de espécies vivas entre todos os jardins botânicos do país, já é uma experiência única e que já valeria a visita mesmo sem toda a arte.

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Porém, além disso, são mais de 20 galerias que abrigam obras de mais de 80 artistas de diferentes nacionalidades: instalações, esculturas, desenhos, fotos e vídeos que chocam, encantam e estimulam a participação do visitante. Nos últimos anos, o vasto acervo ganhou como reforço obras de Lygia Pape, Tunga, Cristina Iglesias e Carlos Garaicoa.

Seu idealizador, o minerador Bernardo Paz, projetou um espaço com jardins amplos e exuberantes que dialogam com as obras de arte e a arquitetura das galerias – algumas de tempos em tempos são atualizadas, de acordo com a curadoria do museu. A estrutura é de primeira: restaurantes, lanchonetes, monitores, limpeza e conservação impecáveis.

Um destino que recomendo fortemente, quem ainda não conhece deve urgentemente reparar isso.. Inhotim se comunica tanto com um entendedor de arte contemporânea quanto com um leigo. Ricardo Freire do Viaje na Viagem tem uma boa frase: “Você sai do parque com apenas uma dúvida: eu estava mesmo no Brasil?”

Mas o que, pra mim, tem de tão especial? Além da beleza indescritível da paisagem, é o privilégio de ver a obra de arte de uma forma mais “limpa”. Com a natureza ao redor.

E ainda, algumas construções foram concebidas especialmente para abrigar determinadas obras, tendo a arquitetura como um projeto complementar das obras de arte. O recurso da arquitetura foi usado a favor de uma experiência artística. Material, volume, forma, cor, iluminação, paisagismo, tudo detalhadamente pensado para ampliar a experiência daquela obra de arte. As construções são também monumentos, esculturas, obras de arte que abrigam obras de arte. Você não vai somente ver uma obra, você vai sentir.

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Se a relação entre a arte e a arquitetura moderna era um pouco mais estática, com obra de um lado e observador do outro, a experiência em Inhotim é que existe a possibilidade de construir as duas coisas juntas, outras formas de perceber a obra e uma relação mais próxima do artista também com a arquitetura.

Não tem como eleger obras preferidas em Inhotim, tudo é preferido! Ok, eu tenho um carinho especial pelas galerias da Adriana Varejão, do Miguel do Rio Branco, Tunga, Cildo Meirelles, Lygia Pape, as Cosmococas do Helio Oiticica, a instalação da Yayoi Kusama, Som da Terra entre outras que só indo lá pra entender que é impossível escolher.. =)

Algumas dicas para planejar a viagem

Se você tem condições de ir de carro e se hospedar mais próximo do Instituto, eu recomendo. Porque a região é belíssima e pode ser uma oportunidade de se desligar do centro urbano por alguns dias. A primeira vez, me hospedei na maravilhosa Estalagem do Mirante que fica um pouco mais distante do parque/museu mas compensa por estar especialmente localizada no alto da Serra da Moeda (a 1.200m de altitude) e proporcionar uma exuberante e inigualável vista do Vale do Paraopeba, num universo de paz e sossego. Além disso, um atalho asfaltado liga o hotel ao museu. Na segunda vez, fiquei na Estalagem da Villa, também uma aconchegante pousada, praticamente a mesma distância (40km) de Inhotim. Em Brumadinho existem pousadas mais simples e mais próximas do museu. E, também, está em obras um resort de luxo dentro do parque com inauguração ainda não definida.

  • Estalagem do Mirante

Outra forma é se hospedar em Belo Horizonte e ir de carro (o tempo médio de viagem até Inhotim é de 1h30 e dispõe de estacionamento gratuito) ou utilizar o serviço de ônibus que faz o trajeto para o museu. A empresa Saritur tem uma linha que sai da Rodoviária de Belo Horizonte, localizada no centro da cidade. Para os horários e valores do ônibus veja aqui.

O site do Instituto tem dicas de hospedagem e de como chegar e o site Viaje na Viagem também tem boas sugestões além de uma compilação de dicas de leitores. Uma dica importante é que Inhotim possui um serviço gratuito de guarda-volumes para bolsas e malas no caso de estar em trânsito ou de chegar de viagem e ir direto para o parque e assim não perder tempo de check in em hotel.

Planejando a visita

Se o destino é Inhotim, eu aconselho o mínimo de dois dias inteiros necessários para conhecer tudo, ideal são três, assim, dá para caminhar, refletir e curtir a natureza sem pressa. Mas se está um BH e tem um dia livre, claro que vale a visita e passar o dia, sabendo que vai querer voltar depois! Vale a pena comprar o ticket do carrinho elétrico e fazer o percurso das obras mais distantes em um dia e deixar o outro dia para as obras que se pode visitar a pé. Vale mais a pena ainda se você só tem um dia, algumas obras são distantes e a “carona” ajuda muito!

Já para planejar a visita ao parque em si, para quem gosta de programar, se situar um pouquinho antes, aconselho ver as dicas do site, como o mapa interativo que ajuda a decidir rotas, conhecer as galerias a até se aprofundar nas obras de arte. O site Viaje na Viagem tem uma sugestão de roteiro para um ou dois dias de visitação. Outra opção é ir com menos conhecimento prévio das obras e galerias, a surpresa e o encantamento pode ser maior. Há descrições de cada obra e artista, além de monitores a postos para dar explicações. E um conselho: não ficar tão focado em ir em tal galeria ou ver tal artista, para poder perceber melhor o que há no caminho — o lindíssimo jardim botânico.

Mas, se gosta de um acompanhamento e de não ter que tomar decisões de rotas a tomar ou galerias pra ver, algumas agências tem roteiros para Inhotim que incluem o acompanhamento de um especialista como artistas plásticos ou historiadores de arte. Meu professor de arte e fotografia costuma fazer esses roteiros, se tiver interesse, pode entrar em contato para informações.

Para a turma que gosta de saber sempre mais antes ou depois da visita, duas dicas: com o Google Art Project, você pode caminhar pelo Inhotim sem sair de casa. Fazer uma visita virtual pelos jardins e galerias e conferir imagens das obras de arte em alta resolução.

E pode saber ainda mais sobre a arquitetura, sobre o processo de criação e as relações entre algumas construções com a arte e a paisagem, assistindo esse episódio da série Arquiteturas produzida pelo Sesc TV e disponível gratuitamente no youtube. Vale muito a pena!

~TEM VIAGEM MELHOR DO QUE UNIR CULTURA E NATUREZA?! ~

Informações práticas: http://www.inhotim.org.br/visite/horarios/
Fotos: Fernanda Maia @femaia
Arquivo pessoal/ Na ocasião das visitas não era possível tirar fotos dentro das galerias.

1 Comment

  • 3 anos ago

    I thought I’d have to read a book for a disvocery like this!

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