ARTISTAS BRASILEIROS NO JARDIM INFINITO NO CENTRO POMPIDOU-METZ

O Centro Pompidou de Metz, na França, um museu de arte moderna e contemporânea, foi inaugurado em 2010 e já merece a visita pela sua impressionante arquitetura, projeto dos famosos arquitetos, o japonês Shigeru Ban e o francês Jean de Gastines.

POMPIDOU METZ

Eles criaram uma espetacular sustentação de telhado de madeira laminada colada e um complexo intrigante de aço e concreto para criar galerias que não só proporcionam áreas de exposição, mas também possuem lindas vistas da cidade através das grandes áreas envidraçadas.

Para saber mais sobre a arquitetura do museu, veja no Site ArchDaily Brasil.

Desde dia 18 de março até 28 de agosto mais um forte motivo. A exposição ”Jardin Infini – de Giverny à L´Amazonie”, proposta como parte do festival Le Livre à Metz, de literatura e jornalismo.

Esse início da primavera na Europa vê o ressurgimento de um tema que profundamente inspirou artistas ao longo do século XX na paisagem cultural francesa: os jardins. Enquanto o Grand Palais em Paris acaba de inaugurar a exposição “Jardins”, o Centre Pompidou-Metz oferece uma imersão através dos olhos de artistas em sua maioria modernos e contemporâneos.

Por uma dessas coincidências que mostram como as instituições francesas estão trabalhando em harmonia, ambas instituições se dedicaram ao tema jardins. Tal convergência mostra como o tema está presente, o que não é surpreendente quando o planeta está sofrendo de super exploração de recursos, industrialização sem feio e a poluição generalizada.

Longe de ser um espaço confinado e limitado, a exposição no Pompidou-Metz explora o jardim como um território infinito. Ele representa um lugar híbrido, de experimentação e estranheza aos olhos de muitos artistas. Fonte permanente de inspiração, ‘Jardim Infinito’ reúne 300 obras do final do séc. XIX até hoje, incluindo de artistas brasileiros.

A exposição de vocação multidisciplinar e sensorial, apresenta uma série de instalações contemporâneas, incluindo a monumental obra mitológica ‘Léviathan-main-Toth’ assinada pelo artista plástico brasileiro Ernesto Neto (2005). Outros artistas de renome como, Dominique Gonzalez-Foerster, Laurent Grasso, Rebecca buzina e Yayoi Kusama, experimentam e fantasiam a natureza deste Jardim Infinito.

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Montagem Leviathan-main-Toth, Ernesto Neto Foto: Alain Blanquet

Ernesto Neto assume o hall do Centro Pompidou-Metz com sua escultura monumental, Léviathan-main-Toth (2005), cujas membranas tomam a forma de uma paisagem biológica em grande escala.

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Montagem Leviathan-main-Toth, Ernesto Neto Foto: Alain Blanquet

A obra de Ernesto Neto tem 100 metros quadrados, evoca o jardim e a floresta e é composta por uma gigantesca malha de lycra com várias “pernas” penduradas. O trabalho reúne dois seres mitológicos: Leviathan – monstro do caos primordial, que também representa o corpo do Estado, unido e múltiplo, e Toth, o deus egípcio da escrita e ciências ocultas.

Deste ambiente, tanto criatura como paisagem ou jardim suspenso, vivem em um jogo de tensão e elasticidade.  Ernesto Neto o descreve como “um trabalho de ajuste contínuo, que se compara a uma floresta tropical.”

Video da montagem da instalação de Ernesto Neto de Leviathan-main-Toth produzido pela France3Lorraine.

Em um percurso dividido em duas fases, a exposição ”Jardin Infini – de Giverny à L´Amazonie” propõe reavaliar o lugar do jardim como um território plástico mutante, fonte de refinamento, tanto quanto de extrema exuberância e fascínio como de subversão.

Frantisek Kupka, "Printemps Cosmique", 1913

Frantisek Kupka, “Printemps Cosmique”, 1913

Primeiramente, o visitante entra em um jardim sombrio e cósmico, recordando o início do século XX, quando a busca simbólica das origens do mundo contaminam as artes plásticas. Naquela época, alguns artistas se apreendem dos problemas de botânica para representar o surgimento da vida. O pintor tcheco Frantisek Kupka usa nuvens abstratas para evocar a fermentação da matéria viva, queimando pelos mecanismos do universo; enquanto que Hilma af Klint, figura pioneira da abstração, traz a espiral como um motivo recorrente em seu trabalho para traduzir o crescimento e evolução.

metz_hilmaHilma Af Klint, “The Birch”, 1922

A partir dos anos 1950, a terra se torna a substância ativa de performances. Este foi o caso do artista Kazuo Shiraga que realiza em 1955 uma performance que se tornou emblemática do movimento avant-garde japonês Gutai.

A exposição também permite descobrir a profunda paixão de Jean Dubuffet pela textura do solo. Em seu estúdio em Lubac, o artista torna-se uma espécie de sismógrafo. A partir daqui nasce suas “celebrações do solo” expressando sua adoração pela terra.

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Jean Dubuffet, “Jardin au Sol”, 1958

Terreno fértil das formas, o jardim inspirou artistas com morfologias e metamorfoses fantásticas que revelam a inteligência de um mundo não-humano. As explorações da Terra levam até territórios desconhecidos com novas reservas de formas e terrenos. Assim, fantasiando a natureza exótica, Dominique Gonzalez-Foerster cria um diorama tropical.

O jardim é também lugar de bifurcação genética que altera os determinismos em favor da evolução. Émile Gallé tem interesse pelas anomalias, Claude Monet cria híbridos. Um século mais tarde, Pierre Huyghe cria os “condensados ​​de Giverny”,  uma nova versão de “Nymphéas” de Monet: aquários climatizados com águas das lagoas artificiais de Giverny.

Installation view: Pierre Huyghe: IN. BORDER. DEEP at Hauser & Wirth London (2014). © Pierre Huyghe. Courtesy the artist and Hauser & Wirth, London. Photo: Alex Delfanne

Pierre Huyghe, “Nymphéas Transplant”, 2014  Foto: Alex Delfanne

Além do exotismo, as alternativas tropicais e biomórficas de Roberto Burle Marx ou Lina Bo Bardi na América Latina e no Brasil dão vida e vigor ao funcionalismo da modernidade européia.

A exposição conta ainda com seis desenhos em pintura automotiva do paisagista Roberto Burle Marx, o projeto da Residência Moreira Salles (onde hoje em dia funciona o Instituto Moreira Salles, na Gávea, Rio de Janeiro), e imagens de projetos do Ministério da Educação, do Parque Ibirapuera, entre outros. Todas cedidas pelo Escritório de Paisagismo Burle Marx.

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A exposição termina com uma outra obra de Ernesto Neto, uma instalação imersiva e olfativa a meio caminho entre a escultura e arquitetura. Constituída por misturas de especiarias, flores e pedras terapêuticas, ‘Cristal Flower Power’ (2014) convoca a floresta amazônica e convida o espectador a uma experiência de percepção acentuada, de fusão total com o corpo vegetal.

Ernesto Neto, “Flower Crystal Power”, 2014 Foto: Tony Prikryl

Jardim como Cenário

Para a exposição “Jardim Infinito”, o artista Daniel Steegmann Mangrané criou um cenário paisagístico sem precedentes que envolvem as obras num ambiente abrangente. A arquitetura da exposição rompe com os habituais códigos de espaço neutro de museu para se tornar um vasto jardim, organizado em dois tempos contrastados, sombra e luz. Criou um cenário orgânico, terrestre e solar onde convida o visitante a passear entre as instalações imersivas.

A primeira galeria da exposição convida a um passeio em um jardim noturno. O visitante caminha em uma atmosfera de aldeia, descobrindo os “jardins privados” de vários artistas em uma alternância de pavilhões e pátios, transmitindo uma sensação de ida e volta entre o interior e o exterior.

A segunda galeria é menos compartimentada, permitindo que a luz e a cor explodam em todo seu comprimento. Ambientes marcados com cortinas de metal hospedam as obras e dão forma a pequenos bosques entre os quais o visitante pode andar. A ausência de uma rota didática convida o visitante a passear, aberto à inspiração e à curiosidade. Grandes instalações se tornam bancos sob folhagem, fontes, cavernas ou pérgulas, todos lugares adequados para a contemplação. Daniel Steegmann Mangrané reconfigura a percepção do espaço expositivo jogando com iluminação e materiais.

Artista espanhol nascido em Barcelona, ​​Daniel vive e trabalha no Rio de Janeiro, no Brasil. Quando criança, queria ser biólogo e a natureza continua a ter uma influência significativa em seu trabalho seja para filmar uma área da floresta amazônica, para seguir as mutações de insetos ou para detectar formas geométricas ocultas na folha de uma árvore.

Imaginada como um território sem fronteiras, a exposição expande-se para a cidade de Metz através de diferentes jardins criados pelos artistas Peter Hutchinson, François Martig e Loïs Weinberger. Um catálogo realizado pela designer gráfica Fanette Mellier e uma antologia de textos de autoria de diversos artistas sobre jardins será a primeira compilação de uma nova coleção lançada pelo Centro Pompidou-Metz e vem junto com a exposição.

~VONTADE DE IR PASSEAR NESSE JARDIM AGORA! ~

Centre Pompidou-Metz
“Jardin Infini – de Giverny à L´Amazonie” 18 de março à 28 de agosto de 2017
Todos os dias (exceto terças e feriado 01 Maio): 10hs – 18hs
De 01 Abril – 31 Outubro: 10-19hs de Sexta a Domingo
Metz está a 1.30h de Paris com o trem TGV, saindo da estação Gare de l’Est.

Fontes: Site Centre Pompidou Metz e Press Release e Press KitJornal Le Monde, Site Exponaute Magazine

1 Comment

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