AUDÁCIA E POESIA EM PARIS

Em outubro de 2014, oito anos depois do lançamento do seu projeto e após cinco anos de obras, foi inaugurado o novo prédio da Fundação Louis Vuitton, criado para fomentar a criatividade de jovens artistas da França e de outros países.

Na última vez que estive em Paris, o prédio ainda não havia sido inaugurado e infelizmente não pude conhecer pessoalmente o novo centro cultural de Paris localizado no Bois de Boulogne, na fronteira da grande Paris, dentro do Jardin d’Acclimatation, aliás um belíssimo jardim botânico inaugurado em 1860 sob o incentivo de Haussmann, prefeito de Paris, e do Imperador Napoleão III, concebido de acordo com o modelo de jardins ingleses.

Destinado a abrigar coleções de arte contemporânea e design, obras da coleção particular do empresário Bernard Arnault (proprietário da Louis Vuitton), exposições temáticas e temporárias, possui ainda espaços para apresentações culturais, instalações multimídia e congressos. Já recebeu mostras de renomados artistas e também concertos, como do pianista Lang Lang e o grupo Kraftwerk.

Com mais um projeto audacioso e arrojado, mas também poético, do arquiteto canadense Frank Gehry, a Fundação Louis Vuitton chama a atenção pelo seu prédio-escultura-monumental com seu formato de barco, com 12 estruturas em vidro lembrando velas, entre as árvores do parque. No total, 3.600 painéis de vidro compõem as estruturas curvas.

  • Divulgação
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“Para refletir o nosso mundo em constante mudança, nós queríamos criar um edifício que iria evoluir de acordo com o tempo e a luz, a fim de dar a impressão de algo efêmero e mutável.” Frank Gehry

Para o arquiteto, o projeto responde ao cenário do Jardin d’Acclimatation, evocando a tradição dos edifícios de vidro dos jardins do século 19, o papel do jardim na memória cultural (especialmente a obra de Marcel Proust) e o desejo de criar um museu de arte contemporânea que fosse atraente e acolhedor para as crianças e famílias que frequentam o Jardin.

Para produzir seus primeiros esboços, Gehry teve sua inspiração no final do século 19 (mesmo período da construção do jardim onde está situado), a partir da leveza do vidro transparente, do paisagismo e das caminhadas pontuadas por surpresas. O arquiteto, em seguida, produziu inúmeros modelos em madeira, plástico e alumínio, jogando com as linhas e formas, dotando seu futuro edifício com uma certa sensação de movimento. Sua arquitetura combina a tradicional “art de vivre”, com a ousadia visionária e a inovação oferecida pela tecnologia moderna.

  • Croquis Frank Gehry

O edifício construído à beira de um espelho d´água criado especialmente para o projeto, compreende um conjunto de blocos brancos (conhecidos como “os icebergs”) que confere volume e vitalidade, revestido com painéis de concreto reforçado com fibras, cercado por doze imensas “velas” de vidro apoiadas por feixes de madeira. As velas dão à Fundação Louis Vuitton sua transparência e sentido de movimento, enquanto permite a construção de refletir a água, os bosques e o jardim e mudar continuamente com a luz. O edifício se encaixa facilmente em seu ambiente natural, entre florestas e jardim, e ao mesmo tempo brinca com a luz e efeitos de espelho.

“Desde a invenção do vidro curvado para compor os 3.600 painéis que formam as doze velas da Fundação aos 19.0000 painéis de ductal (concreto reforçado com fibra), cada um único, que dão ao iceberg a sua imaculada brancura, e não esquecendo um processo de design totalmente novo, cada etapa da construção ultrapassando os limites da arquitetura convencional para criar um edifício único que é a realização de um sonho.” Website da Fundação Louis Vuitton

  • Maquetes Fundação Louis Vuitton

Esta grande façanha arquitetônica já tomou o seu lugar entre as obras emblemáticas da arquitetura do século 21. O edifício de Frank Gehry, que revela formas nunca antes imaginadas até hoje, é o reflexo do projeto original, criativo e inovador.

Claro que algumas críticas tanto positivas quanto negativas pipocaram rapidamente. Os sites Conexão Paris e o Archidaily fizeram textos sobre as críticas. Eu prefiro ficar com as positivas de Christopher Hawthorne do The LA Times, Paul Goldberger da Vanity Fair e de Mayer Rus da Architectural Digest, ao meu ver, bem poéticas.

Para Hawthorne, as majestosas velas criam um edifício que “se junta ao Guggenheim e ao Walt Disney Concert Hall como as mais impressionantes obras do arquiteto que tem uma carreira de quase seis décadas.”

Para Goldberger, os “icebergs compensam por galerias relativamente neutras – não caixas totalmente brancas – […] mas salas que, em sua maioria, são de formato retangular com paredes retas e planas. Quando não há arte no edifício, este parece incompleto, que é sem dúvida o teste mais importante para saber se a arquitetura é muito assertiva. “

Rus admira a rede de treliças de aço e vigas de madeira, que são mantidas no ar em uma “façanha virtuosa de acrobacias arquitetônicas.” Ele continua dizendo que Gehry “criou espaços empáticos à arte de quase todas as escalas e meios”, concluindo que, no balanço geral, o edifício é um espelho adaptado ao terreno onde se localiza.

“Com o seu exterior parecido com um barco à vela de vidro ondulado, o edifício sugere uma atualização vanguardista de Jolly Roger [nome inglês dado às bandeiras de ataque dos navios piratas] graciosamente pilotado por Peter Pan através do mar verdejante de árvores centenárias do Bois com um rastro de pó mágico em sua esteira.” Mayer Rus

Neste mês de janeiro de 2016 estão acontecendo micro visitas guiadas pelos mediadores da Fundação onde a temática é o projeto de arquitetura de Frank Gehry.

E sua próxima exposição será Arte Contemporânea Chinesa ~Des artistes Chinois à la Fondation Louis Vuitton~ e serão organizadas duas mostras. A primeira, chamada Bentu, de 27 de janeiro a 2 de maio, com obras de 12 artistas chineses de diferentes gerações: uns representam a tradição e cultura local, outros apresentam novas estéticas através de novas tecnologias. A segunda, de 27 de janeiro até final de agosto, expõe obras de artistas chineses do acervo da Louis Vuitton.

~ OS SORTUDOS QUE CONHECEREM, POR FAVOR ME CONTEM SUAS IMPRESSÕES! ~

Fondation Louis Vuitton
8, Avenue du Mahatma Gandhi, Bois de Boulogne – 75116 – Paris.
http://www.fondationlouisvuitton.fr/
Para chegar até lá, a navette da Fundação, um pequeno ônibus elétrico, sai da praça Charles de Gaulle com Avenue Friedland e custa um euro (jan/2016), mas o metrô também é uma opção – basta saltar na estação Les Sablons, linha 1, e seguir as indicações das placas.
Horários: Dias de semana 12-19hs | Sex 12-23hs | Sab e Dom 11-20hs | Fechado às terças
Foto de capa: Divulgação da Fundação Louis Vuitton

2 Comments

  • 3 anos ago

    Algihrt alright alright that’s exactly what I needed!

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