ARTE DURANTE AS OLIMPÍADAS RIO2016

Chegamos à metade do período das Olimpíadas e quem está aproveitando desde o começo, já percebeu que, além da maratona dos jogos, está acontecendo uma grande maratona cultural olímpica na cidade.

As Casas dos Países, também chamadas de “Casas de Hospitalidade” ou “Casas Olímpicas”, vem atraindo um enorme público. São locais montados por delegações de países que estão participando da Rio 2016, para compartilhar suas culturas e reunir torcedores, com diversas atrações e atividades. Saiba mais aqui e aqui.

Existem também as Casas das Marcas promovidas por empresas parceiras das Olimpíadas, que estão com programação especial e diversas atividades. Saiba mais.

E veja aqui as casas que permanecem abertas durante as Paralimpíadas.

Além disso, com intenção de transformar os jogos  numa experiência inesquecível também para o grande público, foram criadas três áreas chamadas de Boulevard Olímpico localizadas no Porto Maravilha, no Parque de Madureira e em Campo Grande.

No Boulevard da Zona Portuária no Centro, área que sofreu recentemente uma grande revitalização, o evento acontece no trecho entre a Gamboa, passando pelos armazéns, pela belíssima Praça Mauá onde estão o Museu de Artes do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã e continuando pela Orla Conde até a Praça XV.

No local, o público pode assistir às principais provas olímpicas em telões de alta definição, localizados em três palcos que terão uma programação diária de shows, além de conferir uma série de apresentações de artistas de rua e outras intervenções culturais. Área já está conhecida como nova praia de carioca devido ao enorme sucesso! Saiba mais e programação.

E, durante as Paralimpíadas, entre os dias 7 e 18 de setembro, o Boulevard continuará com diversas atrações, shows e apresentações artísticas. Veja aqui.

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire
Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Exposições

Mas para quem estiver no Rio para a festa, vale também ficar atento às exposições que estão acontecendo pela cidade, seja nos museus ou nas ruas com inúmeras intervenções artísticas.

No Museu de Arte do Rio (MAR) na revitalizada Praça Mauá, que faz parte do Boulevard Olímpico da Zona Portuária, está em cartaz até 15 de janeiro de 2017, a exposição: “A cor do Brasil”. A mostra reúne mais de 300 peças, vindas da Argentina, do México e de outras 12 instituições espalhadas pelo Brasil, que cederam parte de seus acervos para a montagem da mais completa antologia da cor já apresentada na cidade do Rio de Janeiro, traçando a trajetória da arte brasileira desde o período colonial até o século XXI. Lembrando que Abaporu, de Tarsila do Amaral, fica na exposição até 30 de agosto.

Uma dica: começar a visita pelo terraço do museu, camarote para fazer o seu próprio cartão postal, com vista para a praça revitalizada e o belo Museu do Amanhã, com direito a letreiro gigante com hashtag #cidadeolimpica. ;)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire
Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

No CCBB Rio de Janeiro está em cartaz até 17 de outubro: “O triunfo da cor: O pós-impressionismo”: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie.

A exposição apresenta 75 obras de 32 artistas, entre eles, Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat e Matisse, mostrando os caminhos de uma geração de artistas que ficou conhecida como pós-impressionistas, aqueles que promoveram uma revolução estética pelo uso da cor.

A “Memórias do esporte” no Centro Cultural dos Correios até 25 de setembro é uma homenagem às Olimpíadas e ao Esporte. Retrata mais de um século de manifestações esportivas no Brasil e no mundo pelo olhar do cinema de 1896 até hoje.

A partir do acervo da Federação Internacional de Cinema e Televisão Esportivos, com aval do Comitê Olímpico, e de coleções brasileiras, 30 videos fazem uma incursão por registros raros e inéditos de manifestações esportivas pelo mundo incluindo raridades como um jogo de bocha registrado em 1896 pelos irmãos Lumière. Saiba mais.

O Museu do Amanhã, ponto focal da nova Praça Mauá e próximo ao Museu de Arte do Rio (MAR), já merece uma visita pela sua arquitetura, concebida pelo espanhol Santiago Calatrava, e pela sua exposição permanente que aborda questões importantes como o aumento da população e expectativa de vida, padrões de consumo, cultura, alterações climáticas, os avanços tecnológicos e as mudanças na biodiversidade de uma forma extremamente encantadora e interativa. Para saber mais sobre o museu e sobre a arquitetura.

E está em cartaz até dia 30 de outubro, a bela e poética exposição temporária “O poeta voador: Santos Dumont”, que exalta a potência criativa do inventor brasileiro. Com linguagem audiovisual e atividades interativas, inclui protótipos das principais criações de Santos Dumont e duas réplicas em tamanho real: o pioneiro 14bis – cujo primeiro voo completa 110 anos em 2016 – e o avião Demoiselle, mais completo projeto do inventor.

  • Fotos: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Intervenções Artísticas

O famoso street artist e fotógrafo francês JR está com algumas intervenções artísticas na cidade olímpica.

Em 2011, JR foi vencedor do TED Prize, prêmio ligado ao TED Conference que busca eleger personalidades inovadoras nas áreas de tecnologia, design e entretenimento.

E, agora, durante as Olimpíadas, a arte também invadiu o Boulevard Olímpico na zona portuária com o projeto Inside Out assinado por JR e que o fez ganhar o TED Prize: durante a primeira semana, o público foi convidado a participar através de fotos instantâneas tiradas em uma fotocabine montada em um mini-caminhão, que foram impressas em formato gigante de (94 cm por 1,5 m) e estão sendo coladas e expostas na fachada de um prédio ou no piso, próximo ao Armazém 3, formando um grande mosaico com a imagem de todas as pessoas que participaram.

Foto: Káthia Mello/ G1
Foto: Káthia Mello/ G1

O projeto já foi realizado em diversas capitais do mundo como Paris, Nova Iorque, Abu Dhabi, Jerusalém e Palestina. Foram milhares de retratos impressos e o público ainda pode levar um pedaço da obra para sua casa. Tive o prazer de participar, quando estive em Amsterdam em 2013 durante uma Feira de Fotografia, e foi muito bacana!!! :)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire
Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Outras instalações do artista francês JR chamam a atenção do público pela cidade durante a Olimpíada. No Aterro do Flamengo, no alto do edifício Hilton Santos, Zona Sul do Rio, o atleta do Sudão Mohamed Younes Idriss, recordista africano de salto em altura (que acabou ficando de fora da competição por causa de uma lesão), pode ser visto “saltando” por cima de um prédio. Tudo resultado de uma gigantografia que foi feita pelo artista.  A estrutura é de andaimes metálicos que sustentam um tecido impresso com a foto. (Fotos: JR/Reprodução)

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No Quebra-Mar, na Praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste, outra imagem gigante simula um atleta mergulhando no mar.  (Foto: JR/Reprodução)

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E, ainda, uma instalação sobre a Casa Amarela (instituição cultural fundada pelo próprio artista há nove anos no Morro da Providência na Zona Portuária do RJ ) em que JR cria uma escultura metálica em forma de lua crescente. (Foto: JR/Reprodução)

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Esta não é a primeira vez que JR altera a paisagem do Rio de Janeiro com sua arte urbana, ele é o artista que em 2008 transformou a comunidade do Morro da Providência em uma galeria de arte a céu aberto, cobrindo fachadas de casas e escadarias com megafotos de rostos de moradoras, na instalação “Women are heroes”. Em comum, essas mulheres tinham em suas histórias a morte de filhos e parentes em ações policiais. Saiba mais.

E é o mesmo artista que recentemente fez uma instalação no Museu do Louvre e fez a pirâmide “desaparecer”, tem post aqui no blog.

Também no Boulevard Olímpico, o emblemático edifício “A Noite” foi transformado em um grande painel de projeção. A ideia é impactar o público criando imagens que ludicamente misturem a cidade com os Jogos Olímpicos, utilizando artifícios de 3D para criar ilusões de ótica.  A ação foi idealizada pelo artista Paulinho Sacramento, criador do Festival de Vídeo Mapping do Rio de Janeiro, pioneiro na cidade. Todos os dias às 18:30 durante as Olimpíadas. (Foto: Gael/ Visit.Rio)

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Para quem não conhece, o edifício foi o primeiro arranha-céu do país inaugurado em 1929. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2013, por ser considerado um prédio emblemático tanto pelo aspecto estrutural e arquitetônico, quanto por seu significado cultural por ter abrigado o jornal A Noite e a Rádio Nacional.

Inicialmente, recebeu o nome do arquiteto que o projetou, o francês Joseph Gire, também responsável pelos hotéis Copacabana Palace e Glória. Depois que se tornou sede do vespertino “A Noite”, passou a ser conhecido pelo nome do jornal.

Com a derrubada da Perimetral, ficou em evidência. Com fachadas e áreas internas em estilo art déco, esteve por anos desocupado e decadente. Hoje está ainda em andamento um projeto para sua recuperação.

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire
Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Street Art

Ainda como parte das atrações do Boulevard Olímpico, na altura do Armazém 3, foi feita uma intervenção de arte urbana em grande escala.  O mural de 2500 m² na Av. Rodrigues Alves – maior grafite do mundo feito por um só artista – foi feito especialmente para as Olimpíadas com assinatura do brasileiro Eduardo Kobra e será mais um legado para a cidade.

A obra batizada de “Etnias” foi inspirada nos aros olímpicos que representam os 5 continentes e mostra cinco rostos que representam tribos de cada continente. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Além do grafiteiro reconhecido internacionalmente, a prefeitura convidou outros artistas, de comunidade e de diversas partes do Rio, para deixar seus trabalhos marcados na Região Portuária. Iniciativa bacana que dá visibilidade a outros artistas e criativos.

Obra de Camila Camiz que tem como uma de suas marcas os murais em preto e branco ao lado do Armazém 1. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

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Diante do Armazém 2, a representação de Nice, a deusa da vitória, chama atenção pelo colorido. O mural é da artista plástica Panmela Castro, também conhecida como Anarkia Boladona, que costuma abordar questões que envolvem o universo feminino. A artista acabou de pintar um painel para o museu Urban Nation, o primeiro de arte urbana do mundo, que abre no ano que vem em Berlim. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

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Obra de Rita Wainer entre os Armazéns 2 e 3. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

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Trabalho de Wark Rocinha, próximo ao armazém 4, no final do Painel Etnias. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Obra de Vik Muniz, que “amassou” a fachada de um prédio em frente ao Armazém 5. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

Além desses, continuando a Rodrigues Alves após o Armazem 6 (Utopia), foi criado o corredor artístico GaleRio – uma das maiores galerias a céu aberto do mundo com dois mil metros de extensão – que no momento mostra obras em grafite de 20 artistas cariocas de estilos diversos. O corredor se estenderá do Armazém 7 ao 18, aproveitando também muros e paredes de outras quatro edificações.

Um desses grafites exibe os rostos pintados dos atletas do Time Olímpico de Refugiados que participam das Olimpíadas Rio 2016, de autoria dos artistas Rodrigo Sini e Cety Soledade. (Foto: Graça Paes/ Portal AIB NEWS)

mural refugiados

Também uma atração do Boulevard, a Pira Olímpica é uma obra de arte. Está exatamente em frente à Candelária, ficará apagada no período entre os jogos e volta a acender durante as Paralimpíadas. (Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire)

Foto: Fernanda Maia/ Cities to Inspire

E vale conhecer mais sobre o artista americano Anthony Howe que criou a escultura cinética, impulsionada pelo vento, que gira em volta da pira olímpica refletindo e potencializando a chama. Saiba mais sobre o artista.

Para finalizar, o Hotel Copacabana Palace também entrou no clima Olímpico e reproduziu em sua fachada, uma projeção assinada pela artista islandesa Kristjana S. Williams de boas vindas aos atletas e turistas. Porém foi somente até o dia 14 de agosto. Uma projeção revestia o hotel com uma nuvem de borboletas, estampadas com as bandeiras de diversos países participantes dos Jogos Olímpicos, ao som de música clássica. Muito lindo! :)

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